Por Que Utilizamos Apenas Produtos Registrados na Anvisa

Por Que Utilizamos Apenas Produtos Registrados na Anvisa
Dra. Gabriela Rodrigues - Biomédica Esteta, PhD (CRBM-SP 20376)
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Transparência Como Princípio

Uma das perguntas que mais recebo — e que considero uma das mais importantes — é: “Dra. Gabriela, quais produtos a senhora utiliza?”. Fico feliz quando essa pergunta surge, porque ela demonstra que o paciente está se informando e valorizando a própria segurança. E é exatamente sobre isso que quero falar neste artigo.

Desde o início da minha atuação como biomédica esteta, tomei a decisão de trabalhar exclusivamente com produtos adquiridos diretamente do fabricante ou fornecedores oficiais. Não é uma escolha baseada em preferência comercial: é uma decisão fundamentada em ciência, segurança e transparência.

O Que Significa Ter Registro na Anvisa

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o órgão responsável por avaliar e autorizar a comercialização de produtos para a saúde no Brasil. Quando um produto possui registro na Anvisa, isso significa que ele passou por um rigoroso processo de análise que inclui:

  • Comprovação de segurança por meio de estudos clínicos.
  • Avaliação de eficácia para as indicações propostas.
  • Controle de qualidade na fabricação, armazenamento e distribuição.
  • Rastreabilidade completa — cada lote pode ser identificado e monitorado.

Em outras palavras, um produto registrado na Anvisa foi testado, avaliado e aprovado para uso em pacientes brasileiros. Essa camada de proteção é indispensável.

Os Riscos de Produtos Sem Procedência

Infelizmente, o mercado de estética enfrenta um problema sério: a circulação de produtos sem registro, falsificados ou armazenados de forma inadequada. Esses produtos podem:

  • Conter composição diferente da declarada, com substâncias que não foram testadas em humanos.
  • Ter sido armazenados fora da temperatura adequada, comprometendo a estabilidade e a segurança da fórmula.
  • Não possuir rastreabilidade, impossibilitando a identificação de lotes em caso de reação adversa.
  • Gerar resultados imprevisíveis, desde a falta de efeito até complicações graves como granulomas, necrose tecidual e infecções.

Quando o preço de um procedimento parece muito abaixo da média, vale perguntar: de onde vem o produto? Como ele foi armazenado? Existe nota fiscal do fabricante? Essas perguntas podem proteger a sua saúde.

Segurança É Inegociável

Ao longo da minha trajetória acadêmica — da graduação até o doutorado — aprendi que a ciência existe para proteger. Cada protocolo que sigo, cada produto que escolho e cada decisão clínica que tomo é orientada por esse princípio. Não faço concessões quando o assunto é a segurança dos meus pacientes.

Por isso, se você está pesquisando sobre procedimentos estéticos, eu encorajo que pergunte ao profissional:

  • Qual produto será utilizado?
  • Ele possui registro na Anvisa?
  • Onde e como ele foi adquirido?
  • Posso ver a embalagem lacrada antes da aplicação?

Um profissional comprometido com a sua segurança terá prazer em responder a cada uma dessas perguntas.

O autocuidado começa com escolhas informadas. E eu estou aqui para que essas escolhas sejam sempre seguras.

Referências:

Anvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Consulta de Produtos Regularizados. Disponível em: www.anvisa.gov.br.

Galderma Laboratories. Product Safety and Traceability Standards. 2023.

De Boulle K, Heydenrych I. Patient factors influencing dermal filler complications: prevention, assessment, and treatment. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2015;8:205-214.

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